sábado, 24 de abril de 2010

Soneto de Quarta - Feira de Cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura
em tão doces supresa conquistada
Por seres uma branca criatura,
De uma brancura de manhã raiada.

Por seres de uma rara formosura
Mau grado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada.

Por qur te vi nascer, de mim sozinha
Como a noturna flor desabrocha
A uma fala de amor, talvez, prejura.

Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te minha
Hei de lembra-te sempre com ternura.

Vinicius de Moraes

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